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ENTENDA A MENTE DE UM ESQUERDISTA. "PORQUE SOU A VÍTIMA!"

Trecho do Livro: A MENTE ESQUERDISTA (As Causas Psicológicas da Loucura Política).

 

"A Confissão radical da desconfiança básica

 

Em períodos críticos de minha infância eu fui dolorosamente privado de amor, empatia, atenção e cuidado. Essas privações me fizeram sentir-me machucado, necessitado, vazio, invejoso e irado, mas eu preciso fingir que não tenho estas emoções. Quando pequeno eu implorava, exigia e gritava para conseguir o que queria. Eu ainda quero agir dessa maneira, mas temo sentir-me humilhado quando o faço. Não importa o que eu faça, nunca sinto que obtive tudo o que necessito. Isto é uma injustiça terrível, e por causa disso eu creio que sou vitimizado. Não sou paranoico por crer nisso; minha desconfiança básica é realística. Mas sentir-me carente, invejoso e privado também me faz sentir deprimido e desamparado. Algumas vezes também me sinto em pânico e com ódio. Eu sei que certas pessoas me maltratarão da mesma forma que fui maltratado quando criança. Eu estou intensamente machucado e irado por causa do tratamento ruim que sofri nas mãos de vilões do passado e do presente.

 

Para me defender contra esses estados eu tenho que culpar certos indivíduos e grupos por meus problemas e tentar lhes tirar o que eu quero. Ao odiá-los por serem duros, cruéis e egoístas, e ao lhes tirar o que têm, eu posso aliviar minha raiva e me sentir seguro, justo e poderoso. Culpar e odiar os outros me ajuda a me afirmar como vítima e a ver os outros como vilões, os quais posso punir ao mesmo tempo em que tento lhes tomar suas posses. Eles têm certos bens, serviços e status que eu me sinto no direito de ter, mas que ainda não recebi. Para acabar com esta injustiça, usarei do poder do Estado para conseguir o que quero. Então deixarei de me sentir carente, invejoso e irado. Não terei mais que implorar, exigir, manipular ou intimidar ninguém, porque o Estado fará tudo isso por mim.

 

O fato de que o Estado pode tirar as coisas dos outros e dá-las a mim é gratificante em si. Eu preciso ter este poder sobre os outros para não me sentir indefeso, como eu sentia quando era uma criança. O poder de tomar as coisas dos outros também me permite vingar das coisas erradas que suportei e parar de sofrer. Além disso, ter coisas dadas para mim satisfaz minha ganância. Eu sou, de fato, ganancioso e invejoso por causa da privação que sofri quando criança, mas não admito isso para mim e nem para os outros. Finjo, em vez disso, que não sou invejoso, e nego firmemente que sou ganancioso. Eu disfarço minhas demandas gananciosas chamando-as de direitos. Direitos são bens que alguém deve me fornecer porque eu os mereço; eu não deveria ser visto como ganancioso e avarento, ainda que eu o seja. Minha determinação de conseguir o que os outros possuem é minha necessidade legítima. Seus esforços de manter o que possuem mostram sua ganância egoísta. (Joe Sobran) Por isso eles são os gananciosos, não eu. E mais, eles merecem perder o que têm, porque tiraram as coisas de outros. Estas crenças me ajudam a fingir que não sou invejoso, ganancioso ou vingativo.

 

Eu e outros como eu, que somos carentes, irados e invejosos, rejeitamos quaisquer regras que nos exijam trabalhar parar conseguir o que queremos. Nós não deveríamos ter que fazer nada além do que já fizemos para conseguir o que é essencial para uma boa vida. Nós já sofremos o suficiente. Merecemos ser compensados sem fardos adicionais. As privações que sofremos no passado são o que nos fazem merecedores no presente e no futuro. O mero fato de que estamos vivos e suportamos tais dificuldades é suficiente para nos dar o direito a benefícios gratuitos. Na verdade, nós merecemos muito mais do que as coisas essenciais a uma boa vida para compensar as dificuldades passadas. Por essas razões, não se pode permitir que os direitos tradicionais de propriedade impeçam a satisfação de nossos direitos. Nós, vítimas, devemos ter acesso livre de obstáculos à riqueza, poder e posição de outros. Nós não aceitamos a primazia dos direitos de propriedade na proteção da liberdade ordenada e nem a liberdade individual como um ideal adequado. Nossos direitos afirmativos de ter nossas necessidades satisfeitas e nossas dores compensadas são muito mais importantes que os direitos básicos de propriedade ou de liberdade individual. Mais ainda, nós não reconhecemos a soberania da outra pessoa. Não reconhecemos seu direito de ser deixada em paz. Nossos direitos são mais importantes do que o direito reivindicado pelos outros de viver por conta própria. Por termos sofrido certas injustiças quando crianças nós temos reivindicações legítimas das reparações. O fato de que as pessoas sobre quem fazemos essas reivindicações negam qualquer papel causal nas injustiças que sofremos, tanto as passadas como as presentes, não é relevante. Nós temos o direito de conseguir o que nos é devido de qualquer pessoa com recursos. Portanto, nós, que não temos nada, temos direito ao tempo, esforços, habilidades e dinheiro desses que têm mais do que nós.

 

Ver-me como uma vítima inocente de injustiça e ver os outros como vilões cruéis e gananciosos me dá uma maneira de me relacionar com o mundo. Eu posso me conectar a outros que sentem o mesmo que eu, e esse tipo de relacionamento preenche um pouco do vazio e aquieta um pouco a insegurança remanescentes de minha infância. É especialmente importante que nesta conexão eu possa me sentir ligado a alguma coisa e a alguém. Estar conectado desta maneira me faz sentir seguro e reduz minhas ansiedades a respeito da vulnerabilidade, desamparo, separação e abandono que restaram de minha infância. Eu também posso conseguir simpatia e compaixão por meu sofrimento; isso me ajuda a compensar a falta de ternura que experimentei quando criança. De fato, minha união com as outras “vítimas” cria uma família de sofredores, uma confederação de vítimas, com quem consigo me identificar. Todos nós nos vemos como nobres mártires, unidos em nosso sofrimento, em nossa inveja e em nossa pena por nós mesmos. Somos unidos, também, em nossa ira e ódio contra os vilões de nossas vidas passadas e presentes. Isso me permite sentir-me justificado quando ajo de forma irada e destrutiva contra os vilões. Mais ainda, quando vejo que meus problemas são causados por outros, posso ser odioso e vingativo para com eles, evitando assim odiar e punir a mim mesmo.

 

Minha visão de mundo de vítimas e vilões me fornece uma maneira de entender a condição humana. O mundo consiste de pessoas inocentes que sofrem e de pessoas cruéis que causam sofrimento àquelas. Nós que sofremos não somos, de maneira alguma, responsáveis por nosso sofrimento. Nossa dor jamais é causada por nossos próprios erros de omissão ou comissão. Nossa dor é causada por pessoas egoístas e maldosas e por instituições malignas tais como o capitalismo, que permite que pessoas ricas e poderosas explorem os pobres e as minorias fracas. Com esta visão de mundo eu consigo me convencer de que minha desconfiança básica do mundo não é um legado neurótico de minha infância e nem uma distorção paranoica da realidade. É uma percepção perfeitamente natural e precisa do estado horrendo do relacionamento humano. Os únicos pontos iluminados neste mundo infeliz são os esquerdistas radicais modernos. Tendo a oportunidade de fazê-lo, esses homens e mulheres heroicos podem derrotar os vilões em nossas vidas, nos dando segurança, nos unindo em amor e gratificando nossas necessidades se nos apoiarmos em líderes poderosos.

 

Se eles conseguirem poder político suficiente, nossos líderes esquerdistas radicais criarão uma grande sociedade utópica. Na verdade, O Estado Parental Moderno é a família idealizada dos meus sonhos, um benfeitor onipotente com poderes mágicos para acabar com o sofrimento humano. Eu vejo esta entidade como um bebê que adora sua mãe amorosa, como um adolescente que idolatra uma estrela do rock, como um fiel que adora uma divindade. Sob O Estado Parental Moderno eu não temo nenhum mal, pois o Estado dá fim a toda privação, atende a todas as necessidades e cura todas as injustiças. Esse é o Espírito do Mundo Hegeliano. Ele não só cria o contexto do relacionamento humano, ele é a realidade derradeira do relacionamento humano. Numa fusão mística com este Espírito, eu experimentarei a unicidade de cidadão e sociedade, a conexão de tudo a todos, a abolição de separação, e o fim da alienação em todos os seres humanos. Eu não me sentirei mais sozinho ou abandonado; minha angústia existencial será dissolvida numa comunhão com o coletivo. Eu pertencerei a todos e todos pertencerão a mim. Eu estarei finalmente seguro, finalmente livre de necessidades, finalmente livre da desconfiança. Em minha fusão com o Estado grandioso alcançarei não somente a segurança da confiança básica; eu me sentirei conectado a cada alma da humanidade. Mais ainda, em minha campanha coletiva contra o individualismo, alcançarei a validação, a justificação e a significância. Minhas paixões serão finalmente justificadas numa guerra nobre para derrotar o egoísmo. Minha vida terá significado e significância numa campanha épica contra o mal."


 

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